sábado, 18 de abril de 2009

Canto estanciano

Venho agora apresentar meu canto
Que não se faz no espanto,
Mas vem no embalo do curtíssimo ócio
Banhado no suor, e no ar salgado de minha terra.

O meu canto é estanciano,
De índio, de branco, de africano.
Não se atreve ao alvo do crivo,
Talvez, não seja feito para os grandes livros.

O meu canto não tem a voz do murmurante reno
É roucamente piauitinga
O rio que agora respinga
Mas que ainda nina a lavadeira e seu pequeno.

Nunca traz a pompa do verdadeiro poeta
Mas tenta, brinca, e inveja
A felicidade moleca de pés no chão
Rondando o mundo, esse gigante pião.

O meu canto é sergipano
E traz no peito esse grito estranho
Que no amanhecer ecoa na colina
Levando os azuis para a fabricada sina.

O meu canto é anônimo
Sem cor púrpura, sem nomes árcades ou modernos,
É tão normal, tão vivo, tão externo!
Só tem Maria, António, sinônimos e antônimos...

Meu canto vem do mangue,
Onde o homem afunda e o caranguejo voa,
É espuma do Abais que num Saco descansa,
É o marulho da vida que a areia ressoa.
Demócrito Cruz Santos - Estância/SE

Um comentário:

  1. Seu canto ressoa o ser estanciano, enaltece-nos. A nossa diversidade nacional pode ser bem representada na pluralidade da Cidade Jardim. Um poema que acompanha o próprio movimento das águas, encontrando e absorvendo diversas culturas, transformando-as na fornalha do buscapé e do barco de fogo, e desembocando para o mundo.

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